O chefe da América

 

 

Até onde as celebridades podem ir? Bem, certamente não há um limite. Vale uma análise o caso do bilionário americano Donald Trump, empresário do ramo imobiliário e apresentador do reality show “Aprendiz”, que teve como frase-chave “Você está demitido”. A atração teve versão brasileira, com bons números de audiência, e foi apresentada por Roberto Justus e João Doria Jr.

Trump, uma das figuras mais conhecidas da sociedade dos EUA, principalmente de Nova York, demonstrou que quer concorrer à Presidência, em 2012. Ela já tentou nas eleições de 2000, mas desistiu no último minuto.

Todos sabem que Donald é um conservador por convicção, mas seu grau de fanatismo está atingindo níveis preocupantes. Diariamente fala que Barack Obama não nasceu nos EUA (documentos provam que o presidente americano é do Havaí), e sim no Quênia, o que impediria legalmente o democrata de ocupar a Casa Branca.

O empresário também culpa Obama pela queda de influência dos EUA pelo mundo – “estamos perdendo para todos. Somos alvo de piada” –, além de criticar a atuação de Washington na Líbia – “Nossa reação na Líbia não poderia ter sido pior. Foi um caos”.

Talvez o que mais incomode Donald Trump é o sucesso da China, 2ª maior economia do mundo. Ele declarou que se for eleito, vai taxar os produtos chineses em 25%. Ele só esquece que Pequim é o maior credor dos EUA. Caso os asiáticos fiquem enfurecidos, a economia global vai definitivamente para o buraco.

Pesquisas indicam que o apresentador do “Aprendiz” está com 26% da preferência do eleitorado republicano, superando nomes conhecidos como Mick Huckabee (ex-governador do Arkansas), Mitt Romney (ex-governador de Massachusetts) e Sarah Palin (ex-governadora do Alasca e vice na chapa de John McCain no último pleito).

Todavia, analistas explicam que Trump é daqueles “fenômenos com prazo de validade”, ou seja, sua aceitação entre o público tem hora para acabar. Provavelmente no começo da disputa presidencial, em meados do ano que vem.

Com informações de Folha de S.Paulo e Época Negócios

 

Cosmética e rugas

 

O título é de uma coluna de estética, mas o tema é a maldita política.

Os velhos déspotas acham realmente que podem enganar a o povo? Mudanças cosméticas? Vejamos dois casos diferentes, mas que no final caem na mesma vala: Síria e Cuba. Aparentemente nada a ver, certo? Quase.

Começamos com os nossos vizinhos continentais, que recentemente comemoraram os 50 anos do fracasso americano na invasão da Baía dos Porcos. Foi um momento chave para o êxito da Revolução Cubana, de 1959. A partir desse episódio, Fidel quis o colo da URSS e caía em total desgraça com Washington.

Pois bem. Nesta semana tivemos o 6º Congresso do Partido Comunista Cubano (PC), o primeiro desde 1997. A pauta era “a reforma econômica imprescindível para o crescimento do país”.

De histórico mesmo foi a saída completa de Fidel Castro, 84, da vida partidária. Ele deixou a 1ª secretaria do PC, cargo em que estava desde 1965, ano da criação da sigla. Quem assumiu foi o presidente Raúl, 79. Na vaga do irmão de Fidel entrou Ramón Ventura, 80, vice-presidente desde 2008.

Bem, algumas alterações no poderoso birô político da ilha, mas nada que abale as enrugadas estruturas.

Alguns pontos definidos pelos comunistas, mas sem prazo para começar: o fim da libreta, pequena cartilha que todo cubano tem e identifica quais os alimentos subsidiados pelo governo; o início do direito de compra e venda de veículos e imóveis na esfera privada; prazo máximo de dez anos para que um dirigente fique à frente de uma estatal; e redução em 20% (500 mil pessoas) no quadro do funcionalismo público.

Até agora, nada.

Síria

Desde que chegou ao poder, em 1963, o partido Baath decretou estado de emergência em todo país, proibindo manifestações e reuniões públicas, monitorando todo tipo de comunicação e realizando interrogatórios aos montes.

Depois dos violentos distúrbios das últimas semanas, o ditador Bashar Assad (no poder de 2000) resolveu “levantar a cerca”. Manifestações passaram a ser permitidas, desde que com o aval da Presidência. Exatamente isso. O governo precisa aprovar se a causa do protesto é “legítima” ou não. Na prática, nada mudou.

Como disse um analista, as mudanças nos dois casos são cosméticas. Tudo igual com um aspecto diferente. Como uma pele enrugada de um velho ditador. Bom feriadão a todos!

 

Com calote?

 

 

Vou mudar um pouco o foco do artigo de hoje. Não deixa de ter política, mas com muito mais tempero de economia. Desde que comecei a ler jornais, não me lembro de ter visto uma notícia como a que estampou muitos periódicos de hoje: “Dívida dos EUA é colocada em dúvida e derruba mercados”. Nossa, o que isso significa?

Bem, os EUA, como todos sabem, são a maior economia do mundo e também o maior devedor – U$ 14,2 trilhões, ou 100% do PIB. Exatamente, Washington tem uma dívida do tamanho da sua economia. Claro que temos casos como o do Japão, com a relação 120% do PIB, mas em se tratando da Casa Branca, assusta muito.

A situação fiscal americana piorou de vez, assim como em todo o mundo rico, depois da Grande Recessão (2008). Governos tiveram que gastar os tubos para impedir que o planeta caminhasse rumo ao precipício. Fizeram um bom trabalho, mas fatura chegou. Sempre chega.

A dívida explodiu, países quebraram (Grécia, Irlanda e Portugal, com mais gente vindo) e o mundo ficou ressabiado. Ontem, a agência de classificação de riscos Standard and Poor’s (S&P), pela primeira vez desde que começou a analisar a economia americana (em 1941), rebaixou a qualidade da dívida. Foi de “estável” para “negativa” devido ao déficit orçamentário e o gigantesco endividamento. Atualmente, é regra chamar a dívida da Casa Branca de “a mais segura do mundo”, ou a famosa sigla “AAA”, sem risco de calote.

O presidente Obama logo se apressou em apresentar seus números para desacreditar a opinião da S&P. A ideia do democrata é cortar U$ 4 trilhões em gastos nos próximos 12 anos. A oposição republicana quer a meta em 10. O Congresso está em chamas. Os EUA podem perder o status de dívida segura se não conseguirem encontrar um plano de redução de déficit até 2013. Isso sem contar as eleições presidenciais do ano que vem.

A agência foi bem clara em seu posicionamento: “Os Estados Unidos têm o que nós consideramos um grande déficit orçamentário e crescente endividamento do governo e o caminho para resolver esses problemas não está claro para nós". A opinião é fundamentada, mas não podemos esquecer que foram agências como a S&P que não previram a crise de quatro anos atrás. A mesma crise que ainda ronda nosso planeta.

 

A importância da Nigéria

 

 Fiscal nigeriano recolhe cédulas em urna eleitoral

 

É muito importante a eleição presidencial da Nigéria. Trata-se “apenas” do país mais populoso da África (150 milhões), o maior produtor de petróleo do continente e que em breve deve passar a África do Sul como a maior economia da região.

Os principais candidatos são Goodluck Jonathan, cristão do sul que assumiu depois da morte, no ano passado, do muçulmano Umaru Yar’Adua, e Muhammadu Buhari, ex-militar que tem o apoio dos islâmicos do norte.

Na Nigéria, depois da queda do regime militar em 1989, cristãos e muçulmanos se alteram no poder. Alguns islâmicos entendem que os cristãos já tiveram sua vez com Jonathan, e agora reivindicam o posto para Buhari. Mas, ao que parece, “Boa Sorte” Jonathan vai levar com certa facilidade a eleição e entrará para a história do país como o primeiro presidente eleito originário do Delta do Rio Níger.

Os grandes problemas do país, como em todo o continente, são a corrupção e a falta de infraestrutura. Segundo reportagem do New York Times, 40 bilhões de dólares vindos do lucro do petróleo simplesmente sumiram das contas do país. Lagos, a cidade mais populosa, passa algumas horas por dia sem eletricidade. No geral, 70% da população vivem com menos de U$ 2 por dia. Ou seja, muitos problemas para resolver.

Pelo menos as eleições presidenciais ocorreram mais tranquilamente do que as parlamentares, da semana passada. Entidades internacionais apontam para mais de 100 mortos nos conflitos eleitorais nigerianos.

 

 

 

Negócio da China

 

 Dilma passa em revista às tropas com o presidente Hu Jintao

 

Será que Dilma Rousseff conseguiu seu objetivo na viagem de cinco dias à China? Acho que não. Vamos voltar um pouco no tempo: em 2009, a China desbancou os 80 anos de liderança dos EUA como maior parceiro econômico do Brasil. Daí a importância mais do que estratégica no bom relacionamento com o gigante asiático.

Um ponto é claro: a presidente quer mudar a composição das exportações para os chineses. E faz muito bem que lute por isso.

No ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento do Brasil, Pequim comprou 31 bilhões de dólares em mercadorias tupiniquins, sendo 80% de produtos básicos, como ferro, soja e petróleo cru, sem valor agregado. Já os chineses venderam 25 bilhões para nós, porém, com 97% dos produtos manufaturados, como máquinas e eletrônicos.

Mesmo registrando um superávit de 5,2 bilhões com os chineses no ano passado, as autoridades brasileiras querem, com razão, mudar o perfil do comércio entre as partes.

A presidente Dilma sabe do problema que é vender soja e comprar computador. A desindustrialização é iminente. Outro problema é a política cambial agressiva dos comunistas. Com o yuan, moeda de lá, desvalorizada ao cubo, as exportações sempre ficarão mais competitivas. Regra básica. Por isso o mundo é inundado de produtos made in China.

Além disso, temos as restrições das autoridades de Pequim em comprar produtos de vários países. O Brasil era afetado no comércio de carnes. Entretanto, ao que parece, Dilma conseguiu levantar algumas barreiras nesse sentido.

Foram assinados ao todo 20 acordos de cooperação – defesa, agricultura, esporte, energia, telecomunicação, entre outros.

Agora, é muito difícil dobrar o presidente Hu Jintao e sua equipe. Os números da China são inquestionáveis: seu PIB (5,9 trilhões de dólares) é maior que todos os outros Brics juntos (5,5 trilhões), já incluindo a África do Sul. Pequim é dona das maiores reservas cambiais do planeta, três trilhões de dólares. Como pressionar esse gigante? Nem os EUA conseguiram.

Num ponto em que poderia se destacar, Dilma optou pelo óbvio: não se pronunciou sobre os Direitos Humanos na China, assunto tabu por aquelas bandas. Marco Aurélio Garcia, assessor de assuntos internacionais da presidente, falou que “Direitos Humanos não iriam entrar na pauta”. A até então parte inegociável da política externa de Dilma Rousseff parece que não é tão intocável assim.

 

 

 

 

Em três tempos

 

Três assuntos que destaco na análise de hoje: a captura de Laurent Gbagbo, a visita de Dilma à China e a entrada da África do Sul no Brics.

O presidente marfinense finalmente foi preso em seu bunker, na segunda-feira. Estava de camiseta regata, com cara de assustado, lembrando um pouco o ex-prefeito Celso Pitta, preso em sua casa, em 2008.

Laurent Gbagbo será levado a julgamento no Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade. Todavia, as milícias de Alassane Outtara, o vitorioso das eleições de novembro, também cometeram diversas atrocidades que não podem passar em branco pela Justiça.

Outtara tem a difícil missão de estabilizar um país que por quase cinco meses ficou sem nenhuma autoridade central.

Dilma

A presidente Dilma Rousseff faz sua segunda viagem internacional e escolheu a China, 2ª maior economia do mundo e maior parceiro comercial brasileiro, como destino. Até agora, Dilma conseguiu estabelecer alguns tratados, mas aquele que causou mais furor foi a promessa da Foxconn, empresa chinesa que já fabrica no Brasil produtos para Dell, HP, Sony e Sony Ericsson, produzir o badalado iPad no interior de São Paulo. É esperada uma queda de até 50% no preço do tablet. Pequim também deu sinais de apoiar a empreitada brasileira por uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Boas novas

África do Sul

Ainda na China, mais precisamente em Sanya, acontece hoje a 3ª Reunião do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), que a partir desse encontro vai incorporar um “S” em sua sigla, de South Africa. Analistas esperavam mesmo essa indicação, porém, questionam se a nação africana tem a mesma força e dinamismo econômicos de seus amigos do grupo. Alguns até pediam a saída da Rússia, afetada fortemente pela crise global e por ter um PIB concentrado em gás e petróleo. A África, aos poucos, vai sendo representada nos mais importantes fóruns mundiais. Já passou da hora.

 

Novos quadros, velhos apoios

 

 Humala é o favorito para chegar ao 2o turno no Peru

 

Interessante o caso do Peru: registrou um crescimento médio de 5% ao longo da última década, mas não conseguiu distribuir de forma satisfatória todas as riquezas para seus 29 milhões de habitantes. Mesmo assim, é considerado um dos modelos da América do Sul, pois conseguiu entrar na rota definitiva do avanço econômico.

Nas eleições presidenciais, Ollanta Humala, que havia sido derrotado em 2006 pelo atual presidente Alan García, é o favorito para chegar no 2º turno. Tinha 28,69% dos votos, contra 22,69% de Keiko Fujimori (sim, filha do ex-presidente Alberto Fujimori) e 21,66% de Pablo Kuczynski, ex-premiê do país.

Ollanta conseguiu mudar sua imagem de esquerdista radical – muitos dizem que perdeu a última eleição exatamente por ter sua figura colada ao governo de Hugo Chávez. Agora, está mais dócil, com discurso pró-mercado, mas não deixou de citar a importância do Estado no combate à atual recessão mundial.

No 2º turno, Humala deve enfrentar Keiko Fujimori, filha de Alberto, presidente do Peru de 1990 a 2000 que foi o responsável pela abertura econômica do país, com mais indústrias e investimentos, mas que também foi acusado de chefiar um governo corrupto, autoritário e sem respeito aos Direitos Humanos. Em 2009, foi condenado a 25 anos de prisão por diversas violações enquanto esteve no poder.

Alejandro Toledo, que governou de 2001 a 2006, também se candidatou, mas estava com apenas 15% dos votos. Lembrando que Toledo, enquanto presidente, tinha uma popularidade de 8%.

Já o atual chefe de Estado Alan García tem 27% de aprovação, mas seu partido, o Apra, não indicou ninguém para as eleições. Foi a primeira vez em 80 anos que isso aconteceu. García não conseguiu escolher um possível sucessor, mas seu apoio no 2º turno pode ser decisivo para os interessados em comandar o Peru nos próximos cinco anos.

 

Cenários

 

O que acontece com líderes que não querem deixar o poder, mesmo que isso signifique centenas de mortes de compatriotas? Nada, absolutamente nada. Vejamos os casos.

O mais simbólico, claro, é o da Líbia, em que estamos há quase dois meses com Muammar Gaddafi se defendendo de todas as maneiras para permanecer no trono. A coalizão internacional, que entrou na parada em 19/3, começou bem, mas estacionou.

O comando das operações ocidentais na Líbia divulgou nesta semana que destruiu 30% do aparato militar de Gaddafi. E? A França já admitiu que a situação chegou a um “impasse”. Quando EUA, França e Reino Unido lideravam a campanha, a coisa estava mais clara. Com a Otan, conquistas tímidas.

Nos últimos dias, a oposição líbia criticou abertamente a atuação de seus aliados ocidentais. Vários ataques de “fogo amigo” foram registrados, o que enfureceu ainda mais os anti-Gaddafi. O “cachorro louco”, que no começo da guerra controlava apenas 15% do território, está se mostrando um bom estrategista militar.

Iêmen

Li no Estadão de ontem que diversos países do Golfo, encabeçados pela Arábia Saudita, negociam a saída do ditador do Iêmen Abdullah Saleh, no poder há 32 anos. Querem que um conselho formado por partidos da oposição e líderes tribais assume o comando do país mais pobre do mundo muçulmano. Saleh, que já mudou o tom de seu discurso inúmeras vezes desde o início da crise, há três semanas, disse que vai resistir com “sangue e alma” até as eleições da Presidência, no final do ano.

A situação é complicada porque o Estado é praticamente inexistente, sendo que muitos já consideram o Iêmen a nova Somália, com piratas por toda a parte. Sem contar que é um santuário da Al-Qaeda. Os EUA, que sempre apoiaram Saleh, o entregaram à própria sorte. As nações irmãs do Golfo, então, devem limpar a sujeira.

Costa do Marfim

Como não conseguem capturar o presidente Laurent Gbagbo, que está dentro de um bunker com mais 200 pessoas? As informações são de que Laurent controla apenas 20% do território, mas lembre-se de Gaddafi e seus 15%.

Irritado com a demora do desfecho da crise, o líder eleito em novembro, Alassane Outtara, se autonomeou presidente e disse que “vai liderar o país para um processo democrático”. Já vimos esse filme centenas de vezes. Outtara, que teve 54% dos votos, não pode esquecer que Gbagbo é dono de mais de 40% do eleitorado marfinense. A instabilidade no maior produtor mundial de cacau será enorme nos próximos meses.

 

Sem saída

 

Não é fácil fazer prognósticos sobre os líderes africanos, sobretudo aqueles que amam o poder, a maioria do continente. Veja o caso da Costa do Marfim, maior produtor de cacau do mundo.

A maioria dos grandes veículos de notícias já dava como certa a renúncia de Laurent Gbagbo, presidente da ex-colônia francesa desde 2000. Graças ao colega Lourival Sant’Anna, repórter especial do Estadão, fiquei sabendo que Gbagbo quer provar de seu próprio veneno: em 2000, não conseguiu assumir imediatamente a Presidência porque uma Junta Militar não permitia. Como fez? Pela força, na marra. Onze anos depois, Laurent não quer sair da cadeira e muito provavelmente será derrubado pela oposição, liderada pelo presidente eleito em novembro Alassane Outtara. Ironia, não?

Oposição que já invadiu o palácio presidencial, mas não conseguiu capturar Gbagbo que, segundo fontes, encontra-se num bunker no local. Questão de horas.

O destino do presidente da Costa do Marfim pode ter vários caminhos: se quiser resistir por muito tempo, pode morrer. Caso tenha acordos com outros líderes da região, o que é bastante provável, pode ganhar um free pass para um país que aceite dar abrigo a ele. Algumas negociações envolvendo Quênia, Angola e África do Sul estão sendo costuradas. Todavia, Outtara não vai aceitar o exílio de seu inimigo político. Vai querer um julgamento.

A comunidade internacional pede a saída de Gbagbo há tempos. Obama falou para ele sair “imediatamente”. Engraçado não ser tão enfático no caso Bahrein. Coisas da vida.

A rede CNN informou que o presidente marfinense está sozinho, com a proteção de alguns guarda-costas. Boa parte do Exército que era leal a ele mudou de lado. Laurent Gbagbo só tem familiares a seu lado. Quis repetir o modelo de Gaddafi – ficar na marra –,   mas não conseguiu. O líbio tem família, mas também mercenários. Uma pequena diferença.

Com informações da CNN

 

A pomba da paz

 

 Terry Jones e seu novo livro "Islã é do demônio"

 

O raro leitor viu a onda de protestos no Afeganistão? Não entendeu bem por quê? Tudo bem, Planeta Política vai explicar o que pouca parte da imprensa explicou.

No último dia 20, o pastor Terry Jones, de uma obscura igreja da Flórida, queimou diante de 50 seguidores um exemplar do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. Alguma vaga lembrança de Jones? Sim, é o mesmo maluco que em setembro do ano passado disse que iria queimar cópias do Alcorão para resgatar a memória do 11/9. Imagine o transtorno que causou para Washington. No fim, autoridades da Casa Branca foram até a minúscula Gainesville, sede da igreja Dove World Outreach Center (Centro da Pomba de Ajuda ao Mundo, numa tradução livre), e conseguiram enquadrar o pastor, que prometeu nunca mais envolver-se em polêmicas. Bem, não vimos isso no dia 20.

Testemunhos dão conta que Jones fez um “julgamento” do livro muçulmano e o considerou “culpado pelos males do mundo”. Em seguida, foi molhado com querosene e ardeu em chamas por 10 minutos. Era a senha para os protestos no caótico Afeganistão.

Em Jalalabad, no leste, mais de mil pessoas saíram às ruas para protestar. Houve bloqueios de ruas e queima de bonecos com a cara de Jones. Outras manifestações foram mais violentas. Na província de Helmand, um atentado de um homem-bomba feriu um policial e dois civis.

Em Kandahar, 12 morreram e 110 ficaram feridos em protestos que entoavam gritos “Morte à América”. Carros foram incendiados e lojas, depredadas. Na sexta-feira, sete funcionários estrangeiros da ONU no país e cinco afegãos morreram depois que manifestantes invadiram o escritório da organização internacional na cidade de Mazar-i-Sharif, normalmente tranquila.

Mesmo com o circo pegando fogo, Terry Jones não mostrou arrependimento e prometeu mais: vai liderar, neste mês, um protesto anti-Islã diante da maior mesquita dos EUA.

Depois da explicação, ficam as críticas aos meios de comunicação que simplesmente ignoraram o passado de Jones. Simplesmente jogaram as informações para o público, que novamente saiu perdendo. Como sempre.

 

Com informações de O Globo e agências internacionais

 

Pela porta dos fundos. Sempre.

 

 Um milhão de deslocados em Abidjan

 

Como sempre, a África entra no noticiário internacional pela porta dos fundos. Mais um país em crise, a Costa do Marfim, que também parece se encaminhar para uma guerra civil, assim como a Líbia de Gaddafi.

A crise começou em novembro passado, quando Alassane Ouattara venceu as eleições presidenciais. Laurent Gbagbo, chefe da nação desde 2000, recusou-se a deixar o posto, e os problemas começaram.

No final de semana, a França tomou o controle do aeroporto de Abidjan, principal cidade do país. O governo Gbagbo condenou a “ocupação militar estrangeira”. A atitude francesa tem uma razão simples: há milhares de franceses no país africano. Então, nada melhor do que estar no comando do ponto em que pessoas entram e saem do país. Por enquanto, menos de 200 franceses foram resgatados. Muito trabalho pela frente.

O trabalho da imprensa estrangeira no país está muito prejudicado. Diariamente, forças governistas intimidam jornalistas. Por isso a dificuldade em termos bons relatos sobre a Costa do Marfim.

Na cidade de Abidjan, falta eletricidade quase o dia todo. Uma simples saída de casa para buscar água pode significar a morte, já que as tropas leais ao presidente Gbagbo estão por toda parte.

Mesmo com os pedidos da comunidade internacional, que já reconhece Ouattara como presidente legítimo, Laurent não dá sinais de que vai sair da cadeira. A situação desenhada é de guerra civil.

A Cruz Vermelha contou 800 mortos na cidade de Duekoue (oeste do país), forte na produção de cacau, principal fonte de renda da economia da Costa do Marfim. Os confrontos entre governistas e a milícia Força Republicana, ligada a Outtara, ganham violência a cada dia. Dos quatro milhões de habitantes de Abidjan, os distúrbios já deslocaram um milhão. Para contornar a crise, 7.500 soldados de paz da ONU estão no país. Uma intervenção militar não está nem um pouco descartada.

 

A gangorra

 

 Quem comandará a Líbia?

 

Antes de tudo, peço desculpas pelo intervalo de dois dias sem texto. Realmente não tive condições de atualizar o blog. O trabalho foi duro nesta semana. Sem mais delongas, vamos ao artigo de hoje, 1º de abril, só que sem mentiras.

Como já escrevi aqui, a guerra da Líbia é uma gangorra. Cada dia uma cidade é controlada por forças diferentes. Veja o caso de Brega, mais ao leste do país: mudou de mãos seis vezes em seis semanas de conflito. Até o fechamento deste artigo, estava com Gaddafi.

Os contra-ataques das forças governistas estão surpreendendo até o mais pessimista dos analistas. Mesmo com sua capacidade militar abalada por causa dos ataques da coalizão internacional, o número de veículos militares e equipamentos terrestres de Gaddafi ainda é muito superior ao dos rebeldes: proporção de 10 para 1. Além disso, falta treinamento para os rebeldes manejarem armas um pouco mais sofisticadas.

Troca de comando?

A OTAN assumiu o comando da Operação Alvorada da Odisseia na 4ª.feira (30/3), e algumas questões vêm à tona: qual será a influência de EUA, França e Reino Unido? Teremos incursões terrestres, o que está proibido pela resolução da ONU? Os rebeldes serão armados pelo Ocidente? Isso para ficar no trivial.

A organização militar ocidental já disse que não vai entrar com soldados na Líbia, mesma fala de Robert Gates, secretário de Defesa dos EUA. Todavia, essa opinião não foi corroborada por Barack Obama e alguns colegas europeus. Armar rebeldes, mesmo que proibido pela ONU, está na mesa.  Isso sem contar a atuação, bem nos bastidores, da CIA. Será que a OTAN vai realmente comandar a operação?

Deserções

Na alta cúpula gaddafista, duas importantes deserções nesta semana: o chanceler Moussa Koussa, que de 1994 a 2009 foi chefe da Inteligência de Muammar, fugiu para o Reino Unido. O governo líbio disse que Koussa informou que ia para a Inglaterra para cuidar de problemas de saúde. Acabou aparecendo ao lado do chanceler britânico William Hague, que afirmou que a deserção mostra o quanto está fraco o regime de Gaddafi.

Outra saída foi a do ex-chanceler Ali Treki. Ele foi escolhido por Gaddafi para o posto de embaixador na ONU, para substituir Abdurrahman Shalgham, que saiu em fevereiro. Todavia, Treki nunca chegou a pisar na ONU.

Vale reproduzir aqui um comentário de Robert Baer, ex-operador da CIA no Oriente Médio: “As deserções são relevantes, mas não tanto se fossem da família de Gaddafi. Rache o clã, e ele [Muammar] já era. A elite unida vai se separar, as tribos vão desertar e tudo estará acabado”.

 

 

Novas amizades

 

 

A agenda oficial do Itamaraty informava que o presidente venezuelano Hugo Chávez teria um encontro oficial com Dilma Rousseff ontem, dia 28. O bolivariano cancelou a visita por motivos de “incompatibilidade de agenda”, mas ao que tudo indica, manteve seus compromissos com Argentina, Uruguai, Bolívia e Colômbia para “fortalecer os laços da região”, segundo a Agência Venezuelana de Notícias.

Isso está mais com jeito de “resfriamento nas relações” entre Brasil e Venezuela depois das novas atitudes da diplomacia do governo Dilma, que já deu o recado: não vai negociar Direitos Humanos. Como sabemos que Chávez enxerga o assunto como secundário, temos aí o primeiro ponto de discordo dos dois governos.

Oficialmente, o chanceler Antonio Patriota afirma que não há mudanças na política externa em comparação com os tempos de Lula, mas sim “reafirmações e ajustes nos valores caros ao Brasil”. Certo, certo...

A condenação de Brasília ao apedrejamento da iraniana foi ajuste. A declaração de respeito aos DH também. A reafirmação foi no voto de abstenção à incursão militar na Líbia.

Chávez também não gostou da visita de Obama ao Brasil. “Como chamam ele antes de mim?”, deve ter pensado. Sim, senhor Chávez, o Itamaraty fez exatamente isso.

Lula era entusiasta da Aliança Bolivariana, mas Dilma, até agora, não está morrendo de amores. Quer conversar com pessoas que tragam boas ideias e parcerias ao país. Com os colegas revolucionários da América do Sul, terá apenas dor de cabeça.

Durante os oito anos de seu governo, o ex-presidente Lula foi à Venezuela 16 vezes. Será que Dilma repete as cordiais visitas?

Falando na presidente, ela estará em Portugal, entre hoje e amanhã, na cerimônia de entrega do título Doutor Honoris Causa a Lula, concessão da prestigiada Universidade de Coimbra. Dilma vai aproveitar para se reunir com o presidente Aníbal Cavaco Silva e o premiê demissionário José Sócrates para discutir a crise político-econômica da velha metrópole.

 

Ofensiva ocidental

 

 Os rebeldes líbios ganharam terreno no final de semana

 

É uma verdadeira gangorra a guerra civil da Líbia, que já está em seu 43º dia. No final de semana, a oposição, com o valioso auxílio das tropas da coalização internacional, conseguiu repelir os homens leais a Gaddafi da cidade Ajdabiya (leste do país), última parada antes de Benghazi, segunda maior do país e bastião dos insurgentes. Além disso, houve relatos de ataques da oposição contra Sirte, cidade natal de Muammar Gaddafi localizada no oeste da Líbia. Por enquanto, nada de bombas na capital Trípoli.

Como adiantei neste blog, o grande problema agora é a guerra de informação. Testemunhas locais dão relatos para agências e emissoras internacionais que ficam sem saber o que é verdade e o que é falso.

Foi divulgado que as estratégicas cidades petrolíferas de Ras Lanuf e Brega, ambas no leste, foram reconquistadas pelos anti-Gaddafi. Porém, é impossível confirmar tais afirmações já que o trabalho da imprensa independente no país é pra lá de complicado.

No domingo (27), a Otan tomou oficialmente o controle das operações na Líbia. A transição completa dos comandos militares, sobretudo de EUA, França e Reino Unido, deve levar até 5ª ou 6ª.feira desta semana. Com a data estipulada, as forças do Ocidente não esperam, então, que Gaddafi caia até o final da semana. Preveem mais combates.

Como já disse, muito desencontro de informações. O secretário-geral da Otan, o dinamarquês Anders Rasmussen, disse que o único objetivo da aliança militar é “proteger os civis”. Porém, alguns fatos informam o contrário. A Rússia, que se absteve da votação de incursão militar, assim como Brasil, Índia, China e Alemanha, informou que “há evidências que comprovam que a coalização está atacando as forças terrestres do governo líbio, o que é bastante controverso, já que legalmente esse tipo de operação está proibido pela resolução”.

Outro testemunho de um civil líbio divulgado pela mídia ocidental relatou que forças de Gaddafi, no meio de um combate, hastearam uma bandeira branca, símbolo internacional da desistência de um lado do conflito. Porém, quando os rebeldes se aproximaram, os gaddafistas abriram fogo. Que coisa!

O quadro é o seguinte: graças e exclusivamente ao auxílio internacional, os rebeldes conseguiram retomar o controle de cidades antes nas mãos de governistas. Isso em poucos dias. Na verdade, a ofensiva se deu no final de semana. A batalha agora vai para o oeste, onde está a capital Trípoli, Sirte (o berço de Gaddafi) e Misrata, terceira maior do país e que já registra intensos combates. Muammar pode aguentar até mais duas semanas. Mais do que isso, improvável. Claro que se tudo continuar como está, o que é extremamente difícil em se tratando da atual situação do Norte da África e Oriente Médio.

Com informações da CNN

 

 

Dois momentos difíceis

 

 Como prometido, comento os atentados em Israel e a crise econômico-política de Portugal.

No meio da semana, em Jerusalém, um ônibus foi atingido pela explosão de uma bomba quando passava por um ponto de passageiros.. Uma mulher morreu e outros 30 ficaram feridos. Foi o primeiro atentado em Jerusalém desde 2004.

O premiê Binyamin Netanyahu, que adiou sua visita à Rússia por causa do incidente, disse que o governo israelense responderia de forma “devastadora”. Esse é o perigo.

A situação entre israelenses e palestinos já não era boa. A Autoridade Nacional Palestina (ANP), do presidente Mahmoud Abbas, está sem governo desde o início de fevereiro. A organização, forte na Cisjordânia, é única voz considerada pelo Ocidente nas negociações de paz. O Hamas, influente na miserável Faixa de Gaza, é colocado fora da mesa. Já passou da hora de reconduzir o grupo aos encontros diplomáticos. Claro que o grupo radical precisa colaborar também, como acabar com aquele discurso “queremos o fim de Israel”.

Até o fechamento deste artigo, israelenses haviam feito três ataques aéreos a Gaza, mas sem registros de vítimas.

Portugal

A crise econômica está longe de acabar, principalmente no Velho Mundo. A bola da vez é Portugal. O premiê José Sócrates apresentou sua renúncia depois do fracasso em aprovar um plano de austeridade fiscal – menos benefícios sociais e mais impostos, a famosa receita explosiva – recomendado por autoridades da União Europeia. A oposição não aceitou as condições e encurralou o governo Sócrates, eleito com maioria em 2005, mas reeleito em 2009 com uma base parlamentar frágil.

Uma das propostas para acalmar os investidores era reduzir o déficit do Orçamento de 2011 para 4,6% do PIB, depois de atingir 7% em 2010 e 9,3% em 2009. Nada feito. Com isso, o presidente Aníbal Cavaco Silva vai consultar partidos políticos com representatividade no Parlamento para formar um novo governo. Caso não consiga, Silva terá de dissolver a Casa e convocar eleições antecipadas, que deverão acontecer em até 55 dias após a dissolução. A recessão que acertou em cheio Grécia e Irlanda também chegou a nossos queridos irmãos lusitanos.

Com informações do Estadão

 




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